segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Um paralelo num minuto.


Como se fosse possível, naquele momento, conter minhas lágrimas...

07h45min da noite. Era mais um dia agitado na faculdade: eu usava a mesma pulseira, a mesma mochila nas costas, o cabelo preso de modo mais leve e estavam presentes os meus milhares de pensamentos diários. Mas aquele dia era diferente. Era um dia que ficava no meio da segunda semana consecutiva sem diálogo. O ar daquela terça-feira se diferenciava dos demais por estar mais pesado, tão pesado ao ponto de me esmagar e me empurrar para o invisível aos olhos das pessoas. O engraçado é que somente agora notei que eu era só mais uma: mais uma colega de sala, mais uma estudante, mais uma a tirar xérox, mais uma a pegar o ônibus, mais uma garota a ser flertada, mais uma nisso, mais uma naquilo, mais uma... Foi aí que me choquei com a nova verdade: eu não fazia diferença! ...tanto fazia está como não estar ali... Todo o amor que transbordava todos os dias dentro de mim foi ficando doente. Porque eu acredito no amor-diário, acredito que podemos amar todos os dias de formas diferentes pessoas diferentes em locais diferentes. Você percebe o amor-diário ao receber uma flor feita com os canudos da lanchonete, o amor-diário na ora de abraçar alguém, o amor-diário quando se estende a mão para panfletar e te dizem “não. Obrigado!” (pelo menos ele me disse obrigado), o amor-diário na hora do perrengue quando é você que tem que segurar a onda, o amor-diário nas piadas que na hora você morre de rir e logo depois percebe: “que merda”, o amor-diário ao ouvir uma frase “sem noção”, o amor-diário sempre que me vem as boas lembranças e elas vem sempre. Logo em seguida me vi enfurecida, afinal de contas, se tanto fazia eu está como não estar ali é porque devo ir embora, devo ir porque a nascente do meu amor transbordante não era apenas ter, mas sentir os amigos perto de mim. E eles continuaram sendo meus amigos, só que agora eu não os sentia mais, eu passava despercebida por eles. Tudo era uma questão de falta de comunicação. E naquela terça-feira o ar me esmagou porque os vi de costas. Nesse exato momento tentei puxar da memória uma lembrança parecida com esta, mas só lembro-me de vê-los do meu lado. O que eu haveria de fazer diante dessa nova realidade imposta a mim? Então tomei uma decisão pouco antes de ouvir: “ei, o que houve? Você estava do nosso lado e de repente ficou parada no tempo”. Eu olhei para o relógio: 07h46min da noite: “vem doidinha, vamos assistir a aula, depois você nos conta o que aconteceu...” como se fosse possível, naquele momento, conter minhas lágrimas de alegria: tudo estava no mesmo lugar!

2 comentários:

Steres disse...

Esse conto é um sonho que nunca se realizou!
A história não terminou assim...

Pablo Barbosa disse...

Como você conta bem uma história com um pouco de estória...muito boa a maneira como você escreve...

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