Eu não me entendo: eu deveria estar feliz e, no entanto, estou angustiada. Essa angústia é a vida me dando um pouco mais de liberdade e que eu estou com medo de receber. (STEPHANIE SASKYA)
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Disposto.
"Os opostos se distraem
Os dispostos se atraem."
O amor é nada mais do que disposição.
Tem-se de estar disposto a livrar-se de tudo,
Inclusive, de si mesmo.
E você, está disposto a que?
Não se entra num relacionamento pensando em ser feliz.
Entra-se num relacionamento disposto a fazer o outro feliz.
Mas calma com o "fazer o outro feliz"; lembre-se da sua dignidade.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Erros tão comuns.
Um dos maiores erros que podemos cometer é ficar estressado e descontar na nossa mãe - a única pessoa que você tem certeza que daria a vida por você.
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Indivisível.
Eu queria ser uma pessoa indivisível... mas, às vezes, pautamos nossa felicidade em outra pessoa e - aí - já somos nucleares.
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
O "Pé de Caju".
"Eu nasci em baixo de um Pé de Caju", foi o que sempre ouvi meu pai afirmar. Na verdade, meu pai nasceu com parteira em casa, só que numa casa feita de taipa, erguida nesse pé de caju em Vertente do Lério, cidadezinha que fica depois de Surubim e próximo a divisa com a Paraíba. Foi lá que conheci o famoso "Pé de Caju". Quando o pessoal estava andando até o "cajueiro", pelo meio da caatinga, ouvio-se um barulho de porta se abrindo... e casa tinha? Tinha era nada... era assombração pelo meio da estrada. Hoje só tem mesmo o tronco da árvore marcando o nascimento de Um Severino - que só recebeu esse nome porque foi promessa de um parto difícil.
Uma vida completamente rural - casa grande e mesa farta: Buchada, Mão de vaca, Fava, Dobradinha, Cuscuz, Queijo feito do leite da vaca que fica no cercado ao lado da casa; comida feita no fogão de lenha. Lá também tinha porco, cabra, bode, cavalo, galinha... Transporte era somente o jegue e a besta, hoje nós temos moto e toyota pra levar essa gente pra cima e pra baixo. Numa estrada de barro, vizinho não se via, só tinha mesmo era uns pingado de casa, longe uma da outra, mas todo mundo se conhecia.
De dia sol quente, de noite vento frio.
Histórias de assombração tomavam conta da gente deitado em cadeiras de balanço e rede. "A noite é trevas." Comadre Florzinha, lobisomem e homem que virava bicho: cachorro, porco e cavalo. De madrugada quando se ouvia um barulho na cozinha, todo mundo sabia que era a "Cumadre Florzinha". Quando o cavalo ficava correndo dentro do cercado era a comadre montando nele e se ela não gostasse do dono, logo lhe deixava uma trança de presente no rabo do bicho. Pra espantar ela, tinha que lhe oferecer pirão e fumo, pra nunca mais ela voltar a incomodar.
Bebês pagãos eram enterrados ilegalmente na encruzilhada, seja por nascer morto ou por ser aborto; quando se passava de noite, ouvia-se o choro de menino novinho - um choro penoso... Aí tem que se parar diante da cova improvisada e batizar a criançada: "Se for menino, te batizo Emanuel em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém. Se for menina, te batizo Maria em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém" e aí, nunca mais se ouvia o choro dessa criancinha.
Foi muita história que ouvi nesses dias, umas bem divertidas e outras de dar arrepio. Mas uma vida rural não é moleza não, se trabalha muito. Que ninguém pense que é só rede e brisa. Se levanta cedo todo dia, amarra a vaquinha pra tirar o leite, prepara o queijo, alimenta os bichos... cuida da terra.
Nunca mais vou esquecer da vez que visitei Vertente do Lério pela primeira vez.
domingo, 7 de novembro de 2010
Fernando e Isaura.
(...) Nossas vidas nunca são obscuras ou tão de nossa exclusiva propriedade quanto desejaríamos. E é um erro julgar que ninguém se oculpa de nós pelo simples fato de nos contentarmos em viver nossa vida, deixando em paz a dos outros. (...)
...é que o amor humano, qualquer que seja ele, desata o coração dos que amam e, mesmo por vias tortas, aproxima-os de Deus. Era o que estava começando a acontecer a Fernando e Isaura, sem que, no entanto, eles soubessem discernir claramente o que se passava, em segredo, no íntimo um do outro. (...)
sábado, 6 de novembro de 2010
Curiosidades de particularidades.
(Observando)
Hoje eu acordei tão animada. Eu não sou uma pessoa caseira. Isso, as vezes, é ruim porque não consigo curtir o ócio por muito tempo, aí fico a observar as pessoas... elas passam por mim o tempo todo e sempre tem algo a nos dizer, uma história a nos contar sobre suas tristezas e alegrias. O legal é que elas contam suas histórias sem saber que estão falando... é só parar e observar (...) quando me entedio da vida que levo eu olho as pessoas e vejo o quanto somos esquecidos. Esquecidos de olhar para nós mesmos, daí então, me vejo com melhores olhos.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Autor
Ângela é uma curva em interminável sinuosa espiral. Eu sou reto, escrevo triangularmente e piramidalmente. Mas o que está dentro da pirâmide - o segredo intocável, o perigoso e inviolável - esse é Ângela. O que Ângela escreve pode ser lido em voz alta: suas palavras são voluptuosas e dão prazer físico. Eu sou geométrico. Ângela é espiral de finesse. Ela é intuitiva, eu sou lógico. Ela não tem medo de erra no emprego das palavras. E eu não erro. Bem sei que ela é uva sumarenta e eu sou a passa. Eu sou equilibrado e sensato. Ela está liberta do equilíbrio que para ela é desnecessário. Eu sou controlado, ela não se reprime - eu sofro mais do que ela porque estou preso dentro de uma estreita gaiola de forçada higiene mental. Sofro mais porque não digo porque sofro.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Me diga, pra que pressa?
Me diga, pra que pressa
Se quando ando depressa
Tudo fica de passagem?
Me diga, pra que pressa
Se quando a gente corre
A paisagem da rua se morre?
Me diga, pra que pressa
Se comer rápido engasga
E toda forma de apreciar o paladar se rasga?
Me diga, pra que pressa
Se mesmo quando me arredio
A vida mostra logo um desafio?
Me diga, pra que pressa
Se, com sabedoria,
Um filho não se cria da noite para o dia?
Me diga, pra que pressa
Se uma árvore plantada
Não pode ser arrancada?
Me diga, pra que pressa
Pois se o dia teve que anoitecer
É porque tinha que acontecer?
Me diga, pra que pressa
Se tudo acontece
Quando tem que acontecer?
sábado, 30 de outubro de 2010
Naquele dia.
- Sim, me diga quem?
- Mas não tem ninguém. Eu simplesmente escrevo.
Certa vez eu estava caminhando distraída quando avistei um cachorro muito feio. Eu fiquei imaginando que não fora somente os seres humanos que estavam fadados a feiúra da pobreza. Mas o pobre animal não tem culpa e mesmo assim luta até o fim para sobreviver. Não apenas ele, mas todos os animais são assim. Animais não são suicidas e possuem uma doçura invejável, mesmo os mais bravos.
Continuei a caminhada...
Minha alma estava muito machucada, por isso a aula foi tão dolorida. Mas a coreografia estava excelente. Dança. Tenho saudades de dançar. Sentia tantas dores e sentia prazer nelas.
Silêncio...
Sabe o que mais detesto? Detesto um barulho repentino no meio do silêncio.
E me é ainda mais angustiante quando não o identifico. Logo depois, fico a espreita esperando o barulho acontecer de novo. Mas ele não se repete, deixando em mim uma sensação de dúvida sobre o que teria sido.
...um barulho repentino no meio do silêncio (...).
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Água Viva.

Está fazendo um dia de sol.
A praia estava cheia de vento bom e de uma liberdade.
E eu estava só.
Sem precisar de ninguém.
É difícil porque preciso repartir contigo o que sinto.
O mar calmo.
Mas à espreita e em suspeita.
Como se tal calma não pudesse durar.
Algo está sempre pra acontecer.
O imprevisto improvisado e fatal me fascina.
