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sábado, 26 de janeiro de 2013

Das Frustrações de Diana.

Cheguei num ponto em que me tornei boa demais. Algumas pessoas, que eu gostaria que estivessem ao meu lado, ficaram para trás porque não conseguiram acompanhar meu ritmo de crescimento. E eu não consegui parar, tive que deixá-las para poder continuar crescendo. E o meu crescimento gerou dor...

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Hoje eu vi Diana!

   Ela entrou no ônibus cheio e, não havendo nenhuma cadeira para sentar-se, segurou firme uma das barras do veículo para apoiar-se de pé. Como ela estava conseguindo ficar de pé, nem ela mesma sabia. Seus olhos estavam desesperados, sentia uma vontade absurda de sumir da frente daquela gente toda e de chorar tanto ao ponto de soluçar. Enquanto ela se concentrava em um ponto fixo para que as lágrimas não viessem abaixo ali na frente de todos, as memórias vinham bombardeando seus pensamentos, sem o menor escrúpulo, forçando-a a prender o choro.
   Quanta força Diana possui, ela não chorou. Passou a mão diversas vezes pela cabeça, em outras passava a mão nos olhos.
   Eu desci do ônibus. Mas sabia que Diana iria chegar em casa, ia passar pela sala fingindo apenas cansaço e entraria em seu quarto. E lá dentro, choraria tanto, tanto, baixinho, até cair no sono. Porque naquele período, para Diana, os dias pareciam uma eternidade e todo dia era segunda-feira!

domingo, 4 de março de 2012

Dos Prazeres de Diana.

    Algumas pessoas não gostam de comer coração, sangue ou moelas de galinha, por exemplo. Eu mesma, além das galinhas, gosto bastante das tripas e do bucho na buchada. Gosto também de uma leve gordura na carne de charque. Parece que gosto de sentir na boca o gosto da carne e do sangue de um animal que morreu para ser meu alimento. E quando alguém vem e diz que não gosta de comer coração de galinha, eu gostaria de dizer outra coisa, mas não consigo... Quando alguém vem e diz que não devemos comer a galinha e seu sangue, eu gostaria de ter dito:


   "- Claro que devemos comê-la, é preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências nos salvam das grandes. Quem sabe, se não comêssemos os bichos, comeríamos gente com seu sangue. Nossa vida é truculenta, Loreley: nasce-se com sangue e com sangue corta-se para sempre a possibilidade de união perfeita: o cordão umbilical. E muitos morrem com sangue derramado por dentro ou por fora. É preciso acreditar no sangue como parte importante da vida. A truculência é amor também."

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres de Clarice L. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dos sentimentos de Diana.

E todo o meu corpo se esvaía. Não tem nada haver com o sentimento de vazio. É bem pior. Pois já não me rebelo mais com tanta frequência, há uma desesperança e apatia em minha face que causaram estranhamento nas pessoas próximas de mim. Estou me tornando um alguém que não reage. E as pessoas estão começando a se acostumar com isso. Os últimos suspiros ainda me servem para escrever meia dúzia de palavras aleatórias com o intuito de reescrever minha vida, de contá-la ao meu modo. 
Mas o que eu gostaria mesmo era que me contasse o que você vê aqui dentro. Porque o que você enxerga em mim se tornou essencial para criar uma luz no meu sorriso. Eu acho que já te disse que gosto de pessoas livres e do quanto elas tem a capacidade de te doar um pouco da liberdade que possuem. Mas você é livre demais para mim. Então tive que me desprender de ti antes que eu caísse de uma altura maior. E todo o meu corpo se esvaia.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Das asas de Diana.

Eu nunca tive asas. Sempre fiquei debruçada na janela do meu quarto olhando as pessoas voarem livremente. Fazendo suas apostas para ver quem voaria mais alto ou quem aprenderia a voar primeiro. Mas eu nunca tive asas. Ninguém poderia me levar para voar um bocadinho, pois as pessoas são pesadas demais para ir nas costas dos outros. Cada um teria que ter suas próprias asas. De vez em quando um ou outro descia e vinha falar comigo, mas logo sentia falta do céu e ia embora. 

sábado, 26 de março de 2011

Dos desejos de Diana.

Ai, me deu uma vontade louca de sonhar, pensar nas coisas que eu gostaria de ter e de fazer. Os sonhos parecem simples de serem criados, era somente imaginar e pronto: Sonho feito!
Mas nem sempre é assim. Responsabilidades, obrigações, ter que dar satisfações, tudo isso junto nos veta a criatividade imaginatória.
Outras vezes, eu é que evito sonhar, porque tudo é meio dolorido, os impedimentos, os olhares incompreensivos, as injustiças, a indiferença... tudo isso nos aleija, nos deixa triste.
E eu, mais do que triste, viro do avesso na hora. Quando vejo, já perdi o prumo e desejar é algo que se torna tão inútil [...] MAS NÉ PRA DESISTIR NÃO! Uma hora tudo se ajeita, tudo se resolve e tudo volta a rotina de sempre, as mesmas reclamações, as mesmas indagações, os mesmos problemas... ai, que agora me deu uma vontade louca de sonhar...

quarta-feira, 2 de março de 2011

Dos hábitos de Diana.

Moro em um bairro periférico e tenho como minha segunda casa a residência de minha avó.

Há, aproximadamente uns dez minutos da casa de voinha, uma sorveteria que adoro ir. O sorvete é uma delícia! É, praticamente, sair da periferia até um bairro nobre só para tomar esse sorvete. Mas lá não tem luxo não (comida pouca, ruim e cara), pelo contrário, o prato vem cheio, é delicioso e o preço é baratinho.

Então, o dono da pequena fábrica me pergunta qual o sabor que desejo tomar e eu, prontamente, respondo "Chocolate, é claro!"

...como se, para ele, fosse obvio a minha preferência por este sabor.