segunda-feira, 6 de maio de 2013

Leituras contra o tempo.

Hoje, a tarde está boa para leituras. O silêncio reina como alguém que encontra a paz. Vento bom refresca-me por entre os cabelos e me eleva os olhos ao céu. Sinto-me quase de frente para o mar de tão azul e infinito.  Estamos no outono, mas aqui as folhas não secam, continuam verdes e o verde torna o ar mais úmido. Dentro de casa, todos encontram-se em silêncio, o que é uma raridade. Pois, quando não gritam, deixam a televisão gritar por eles. Os cachorros da vizinha latem esporadicamente, mas estes nunca me incomodam. Eles me alegram como se fossem meus, só que não preciso dar banhos ou limpar suas fezes. Os filhos dela também não me incomodam, é claro que tenho preguiça em devolver a bola que cai em meu quintal toda vez que tocam na minha campainha,  porém eles me lembram a infância saudável que tive. Fico cogitando a hipótese: e se agora eu fosse criança, seria amiga deles e jogaríamos bola por cima do muro incansavelmente até nossas mães nos chamarem para tomar banho e jantar. Quem me dera todas as crianças do mundo tivessem uma infância feliz. Agora eu escuto com calma os insetos e animais, que vivem nos matos, comunicarem-se. Cigarras, pássaros, mosquitos, besouros... todos prenunciando a noite que está se aproximando. Gostaria que o tempo parasse por alguns segundos neste entardecer crepuscular, assim, eu poderia terminar minha leitura de cento e sessenta e sete páginas, que acabo de começar, para que a escuridão e o barulho de pessoas não chegassem antes do desfecho dessa minha vida particular e ficcional.


terça-feira, 16 de abril de 2013

Inconformismo.

Não tenho como evitar. Sou um ser curioso. E mesmo assim, a verdade tem manias de bater em minha porta. Mas pensando bem: melhor assim! As vezes a vida da um nó e só Deus sabe a força que existe em nós quando queremos desvendar mistérios. Muitos desses mistérios referem-se aos desconhecidos que nos olham nos olhos. O olho-no-olho virou sinônimo de sinceridade. Será? Será mesmo que sabemos quando pessoas são sinceras? Não se finge felicidade. Mesmo que meio sem entender de certas coisas, sabemos quando as pessoas se sentem felizes por estarem ao seu lado. Ou pelo menos deveríamos perceber isto. Mas por que tudo isso um dia acaba se antes havia felicidade, bom papo e olhares gentis? Todos ao meu redor me dão respostas muito conformistas do tipo "a vida é assim mesmo" e "o tempo cura tudo". Não me conformo com estas respostas. Quero poder agir e resolver os maus entendidos que o tempo nos propõe.


terça-feira, 9 de abril de 2013

Oração:




"Senhor, 
livra-me de tudo que não suporta 
meu sorriso aberto, 
minha risada alta, 
minha gentileza, 
minha educação, 
meu amor nos olhos, 
meu coração gigante, 
minha esperança eterna e 
a minha fé irreversível. 
Amém!"


segunda-feira, 8 de abril de 2013

A(Deus).

A gente se equilibrava um no outro: eu para sair um pouco dessa minha vida certinha demais e ele para fugir de sua vida desarrumada. Mas teve um dia em que nossas essências falaram mais alto e nos desequilibramos na presença um do outro. Eu tinha um futuro e ele um passado. Era o adeus. 


terça-feira, 2 de abril de 2013

domingo, 24 de março de 2013

Domingo.

Domingo de estudos e leituras. De Caios e Clarices. De andar descalça pela casa limpa. Pausa para almoçar uma buchada com os familiares. Cerveja para acompanhar a boa pedida. E ao final deste dia, atender o telefone para ouvir as boas dos amigos. 


quarta-feira, 20 de março de 2013

Felicidade é...

Viver dias excelentes e depois se vê sem eles. Descobrir que precisa reconstruir cada passo a partir de si mesmo. Comemorar com um copo de cerveja a pouca solidão. Sair sozinho e encontrar ao menos uma pessoa bacana que não via a tempos. Estar rodeado de pessoas e sentir-se acolhido por elas. Ter mau humor e mesmo assim sorrir para não entristecer ninguém. Contar as moedinhas e gargalhar, pois pagou a conta. Fazer sorrir. Fazer sorriso. Ter o coração partido, mas saber que foi melhor assim. Entender que não se pode ter o amor de ninguém obrigado. Ficar em silêncio e não ser incomodado. Ser uma pessoa que você gostaria de conhecer. Aprender coisas novas. Sonhar e acordar sorrindo. Continuar sorrindo ao longo do dia. Chorar. Comentar com Deus suas emoções. Sentir que Ele te escuta e que existe de verdade. Convencer uma pessoa a ser boba com você. Criar coragem. Conseguir o que se quer com o poder de não passar por cima de ninguém. Aperfeiçoar uma técnica até criar calos nas mãos. Mesmo triste, perceber quanta coisa boa aconteceu e quanta coisa ainda falta acontecer. Não conseguir descrever um sentimento de tão bom. Ouvir os estalos do milho de pipoca na panela. Ter conhecido o mar. Ter feito amizade com o mar. Ouvir o disco do seu artista preferido. Comprar seu livro preferido. Saber retribuir carinho. Conversar até a madrugada cair e descobrir que ainda há tanto para se falar, mas o sono não deixa. Dormir ao lado e sentir-se protegido. Impedir o medo de te impedir de algo. [...] Viver!

Feliz 20 de março. Feliz Dia Internacional da Felicidade. ♥◔◡◔♥



segunda-feira, 11 de março de 2013

O que andam falando sobre mim:

Fala que nem uma matraca!
Tem um coração enorme!
Odeia injustiça!
Não gosta de ser contrariada, e raramente aceita opinião dos outros... Mesmo estando errada --'
Tenta sempre mostrar para que veio.
Sofre, mas tenta não demonstrar, e se isso acontecer, é porque a porra ficou séria.
Não importa se é ridículo - se ela gosta - vai continuar fazendo, falando ou dançando... '-'

Continua... hahahaha 




sexta-feira, 8 de março de 2013

Papoulas.

Mulheres são como Papoulas.
Possuem beleza e ópio.


Papoulas são como eu. 
Uma flor simples que descobriu sua beleza e seu veneno.
E a partir dessa descoberta
É possível criar uma variedade de fórmulas raras,
Que dependendo da dosagem,
Pode salvar ou ser fatal.

terça-feira, 5 de março de 2013

Amor é acontecimento: é o que sobra depois de todo esquecimento. Queria que ele coubesse no que eu vejo em você. Queria que ele soubesse que eu acredito em você. E que você sorrisse todas as manhãs como se quisesse me encontrar todas as noites; e à tardinha também. Dizer que me ama ao som de Jorge Ben, jurar que me quer ao ler Baudelaire. E não só risse para afastar o desespero. E não sorrisse para fingir que o amor te alegra. E não sumisse por temer o que te espera. E assumisse que o que já fomos, já era. E na mesmice dos nossos desencontros, eu me encontro completamente indiferente ao que você sente… Em vão… Em vão… Em vão… Pra onde vão os nossos silêncios quando deixamos de dizer o que sentimos? 

[um retrato em medo e pranto; antônio]