domingo, 4 de novembro de 2012

A casa do monstro.

Em uma vila, distante dos grandes centros urbanos, havia uma casa velha habitada por um homem muito esquisito. Era um velho, magro, orelhudo e peludo. Ele nunca saia de dentro de casa e, quando isso acontecia, era tarde da noite. O velho sempre andava com uma sacola nas costas.
Haviam na vila também três crianças muito corajosas: a Pietra, o Miguel e o Emanuel. Os três notaram que os brinquedos favoritos das crianças daquela vila estavam sumindo e começaram a desconfiar que estavam dentro do saco do velho e que depois ele levava para dentro de sua casa. Então, os três resolveram seguir o velho de noite para descobrir o mistério dos brinquedos desaparecidos. Era dia de lua cheia.
Com bastante cuidado, seguiram o velho até o cemitério da cidade. Então o velho parou e olhou para aquela lua enorme e amarela  e começou a se transformar em um monstro de garras e dentes afiados, peludo e horroroso. Era um lobisomem. As crianças começaram a correr desesperadas, despertando a atenção do monstro que começou a correr atrás delas logo em seguida. Foi uma gritaria, mas seus pais e nenhum outro adulto poderiam ouvi-las, pois estavam muito longe de casa, o jeito foi colocar sebo nas canelas e correr o mais rápido que puderem. Só que no meio do desespero, Pietra tropeça num galho de árvore e cai. O lobisomem alcança ela. Seus dentes contra a luz mostravam o quanto eram afiados. Os meninos decidiram voltar e salvar sua amiga.
Mas neste instante, a correria que durou a noite toda, começou a amanhecer. Enquanto o sol foi surgindo, o lobisomem começou a se destransformar. O velho olhou para as crianças assustadas e começou a chorar e a pedir desculpas. Contou que gosta muito de crianças e que sua profissão é consertar brinquedos, porém, uma bruxa o transformou nessa coisa feia como castigo por ele ter se recusado a roubar os brinquedos das crianças para ela. Pietra, Miguel e Emanuel matutaram uma maneira de ajudar o velho e resolveram ir até a casa da bruxa. Pegaram seus brinquedos favoritos e decidiram presenteá-la em troca dela quebrar a maldição do velho.
Mesmo correndo o risco dela ficar furiosa e transformá-los em lobisomens e lobismulher decidiram ir adiante com o plano. A bruxa, pronta para lançar qualquer feitiço maldoso, quando viu os presentes, ficou muito emocionada com o gesto das crianças. Ela se emocionou porque nunca ninguém lhe havia dado um presente antes. Natal, Dia Das Crianças, Aniversário... quem é que sabe o dia do aniversário de alguma bruxa?
Pedido concedido. O velho, que agora atende pelo nome de Seu Bonfim, devolveu os brinquedos desaparecidos das crianças da vila, só que agora em bom estado, pois, de tanto brincarem, precisavam de reparo. Fez também novos brinquedos para os três heróis mirins e a bruxa despertou dentro de si a criança que nunca foi brincando com seus presentes.
Mas as crianças decidiram não ser mais tão corajosas. Desta vez o final foi feliz, na próxima é melhor não arriscar.




Conto criado para meus alunos, 
que são uma das luzes no fim do meu túnel, 
um dos finais felizes da minha história.

Contos de Terror - Halloween.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Guardado dentro e fora de mim.


Meu quarto é uma bagunça! Por isso minha vida é uma bagunça também? Eu encontro tudo o que quero em meu quarto, nada está perdido, só algumas coisas me exigem um pouco mais de tempo para encontrá-las, tempo esse que não posso dar nos dias de muita pressa.
Quando decido arrumar meu quarto (isso sim é um evento raro, tomo para ele o tempo de um dia inteiro, é quase um ritual), mas eu dizia que quando decido arrumar meu quarto, esse dia torna-se feliz e nostálgico por conta das memórias que ele guarda. Encontro coisas, objetos e bilhetes que me retomam momentos que quis guardar. Também é verdade que sou muito esquecida, é necessário que eu guarde para depois reencontrar aquilo que está a tempos esquecido, guardado e isso não é proposital. Mas nada está perdido. 
Há também aquilo que joguei fora, mas não me recordo que coisas foram essas e também não me sinto triste por não recordar. Confio plenamente em mim, se joguei fora é porque a memória não me faria bem. 
Há quem não me entenda, mas eu me compreendo perfeitamente, até mesmo de cabeça para baixo.


quarta-feira, 10 de outubro de 2012

jujubas vermelhas.


Desfruta-me, 
que com 
minh'alma 
se é capaz 
de...



coisas escondidas

Alimento minha alma com doces poemas e atormento-a com as descobertas dos sentimentos que foram provocados em mim. Eu acreditava que quando se lê, aprende-se a amar, porém, o ato de ler é o despertar das coisas escondidas dentro de você.
Na leitura, forço-me ao delírio e às alucinações. Parte de mim é colocado para fora e desesperadamente fecho o livro na esperança de que ninguém tenha notado o meu devaneio. Todos os sentimentos fervilham dentro de você, causando-lhes sensações completamente desconhecidas, provocando em você o total estranhamento de si mesmo.
O eu-interior torna-se outro e continua sendo o mesmo eu de sempre.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O Passarinho e a Gaiola

O engraçado é que o Dono deixa a gaiola aberta, propositalmente, e não aceita que o Passarinho voe. Porque ele pensa que a fidelidade do Passarinho está em não sair da gaiola, quando, na verdade, ele é fiel porque voa e volta. E então o Dono, magoado de amor, tranca a gaiola para que o passarinho não entre mais.

"Amor Recíproco e Infeliz."
Texto de Stephanie Saskya e Izis Monaly.


quinta-feira, 4 de outubro de 2012

ECO

A pele salgada daquele surfista
parece doce de leite condensado.
Como seu olhar, o mar é narcisista
e, na vista de um, o outro é espelhado;
e embora, quando ele dança sobre as cristas,
goste de atrair olhares extraviados
de banhistas distraídos ou artistas,
é claro que o mar é seu único amado.
Ei-lo molhado em pé na areia: folgado,
ao pôr-do-sol tem de um lado a prancha em riste
e usa do outro uma gata e um brinco e assiste
serenamente ao horizonte inflamado
e a brisa o alisa e enfim ele não resiste
à beleza e diz “sinistro!” e ouve eco ao lado.

Antonio Cícero [Do livro Guardar]



domingo, 30 de setembro de 2012

Sabe aquele momento que você tem na mão e não quer lagar nunca mais? -Este momento pertence à mim!

domingo, 2 de setembro de 2012

seduzir

meu bico afro
não precisa de batom
não precisa de cor
tem o tom de boca de quem deseja um amor
solto, sereno, suave...
e em meus olhos?
encontro representado neles, o infinito
desejos infinitos
quem ousa atravessá-los
sente o corpo faiscar
quem ousa atravessá-los
arde em brasa
e me deseja toda por dentro e por fora
que, aliada a minha boca,
tudo o que está em volta
é devorado
restando apenas a mim e ao amor
soltos, serenos, suaves
e loucos para seduzir...

















me inspirei na Izis Monaly para escrever este poema.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Poema: UNHAS PINTADAS

Autora: Vania Lopez 


mulher quando esta com raiva
veste vermelho quente
tras faíscas no olhar
salto agulha
uma tigresa caminha por dentro
de unhas pintadas
e um sorriso doce
nos lábios


sábado, 18 de agosto de 2012

Sinto-O.

Você não consegue enxergar o Vento e mesmo assim não tem dúvidas de que Ele exista! Por que ninguém diz que as folhas de uma árvore mexeram-se sozinhas ou que meus cabelos ficam esvoaçados por vontade própria?