domingo, 4 de março de 2012

Dos Prazeres de Diana.

    Algumas pessoas não gostam de comer coração, sangue ou moelas de galinha, por exemplo. Eu mesma, além das galinhas, gosto bastante das tripas e do bucho na buchada. Gosto também de uma leve gordura na carne de charque. Parece que gosto de sentir na boca o gosto da carne e do sangue de um animal que morreu para ser meu alimento. E quando alguém vem e diz que não gosta de comer coração de galinha, eu gostaria de dizer outra coisa, mas não consigo... Quando alguém vem e diz que não devemos comer a galinha e seu sangue, eu gostaria de ter dito:


   "- Claro que devemos comê-la, é preciso não esquecer e respeitar a violência que temos. As pequenas violências nos salvam das grandes. Quem sabe, se não comêssemos os bichos, comeríamos gente com seu sangue. Nossa vida é truculenta, Loreley: nasce-se com sangue e com sangue corta-se para sempre a possibilidade de união perfeita: o cordão umbilical. E muitos morrem com sangue derramado por dentro ou por fora. É preciso acreditar no sangue como parte importante da vida. A truculência é amor também."

Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres de Clarice L. 

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Dos sentimentos de Diana.

E todo o meu corpo se esvaía. Não tem nada haver com o sentimento de vazio. É bem pior. Pois já não me rebelo mais com tanta frequência, há uma desesperança e apatia em minha face que causaram estranhamento nas pessoas próximas de mim. Estou me tornando um alguém que não reage. E as pessoas estão começando a se acostumar com isso. Os últimos suspiros ainda me servem para escrever meia dúzia de palavras aleatórias com o intuito de reescrever minha vida, de contá-la ao meu modo. 
Mas o que eu gostaria mesmo era que me contasse o que você vê aqui dentro. Porque o que você enxerga em mim se tornou essencial para criar uma luz no meu sorriso. Eu acho que já te disse que gosto de pessoas livres e do quanto elas tem a capacidade de te doar um pouco da liberdade que possuem. Mas você é livre demais para mim. Então tive que me desprender de ti antes que eu caísse de uma altura maior. E todo o meu corpo se esvaia.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Das asas de Diana.

Eu nunca tive asas. Sempre fiquei debruçada na janela do meu quarto olhando as pessoas voarem livremente. Fazendo suas apostas para ver quem voaria mais alto ou quem aprenderia a voar primeiro. Mas eu nunca tive asas. Ninguém poderia me levar para voar um bocadinho, pois as pessoas são pesadas demais para ir nas costas dos outros. Cada um teria que ter suas próprias asas. De vez em quando um ou outro descia e vinha falar comigo, mas logo sentia falta do céu e ia embora. 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

doce solidão (8)

A solidão é minha companheira. O silêncio, meu conselheiro e sou viciada em tédio. Só não entendo porque sou obrigada a dizer coisas felizes... (ai que ta, não sou). Mas digo! Deve ser para não assustar as pessoas. Para não afastá-las com meus pensamentos deprimentes. Para, só então, me sentir menos solitária e não ficar com todo esse silêncio que me assusta.
É o peso de carregar um sentimento só seu. Inexplicável para si. Inexistente para os outros.

sábado, 31 de dezembro de 2011

A busca

Sabia que nos enganamos com as pessoas porque queremos?
A gente costuma criar expectativas mesmo não tendo nada de concreto para isso.
É que às vezes nós necessitamos, urgentemente, acreditar que existe algo especial para dar algum sentido à vida.
Sofrer por amor é algo nobre e buscamos a nobreza dentro de nós.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

tentativa frustrada

Sorte não tem nada haver com sorteios e loterias. Sorte é muito mais simples do que se imagina. Todos os dias eu pego o ônibus próximo ao terminal e por isso sempre há um lugar para eu sentar. Na ida e a volta. No trânsito, vejo muitas pessoas que passam 2h em pé durante toda a viagem, sentindo o roçado e a catinga de suor das outras pessoas. E elas, por sua vez, são forçadas a roçar e a exalar odores também. Que sorte, a minha!
Todo dia, por conta do privilégio de ir sentada para o trabalho, pego um livro. Tenho 2h de pura viagem. Os outros, de pura roçagem. Enquanto eu lia as palavras de Caio F.,
"Quanta vaidade, quanto palavreado tolo, quanta culpa idiota. [...] Pelo menos, enfrenta. Como aquela, mentindo naturalidades com tamanha perfeição que até consegue dizer: sou simples. E diz a verdade quando mente. Não me venhas com Densas Complexidades Psicológicas. Artimanhas, embustezinhos corriqueiros. Portas falsas, coração. Tudo isso me nauseia como a décima dose de um licor de anis. [...] Tudo não passa de um emaranhado de vísceras. Levarás para o túmulo tanta delicadeza, tamanha pudicícia. Os vermes engordarão de tanto açúcar-cande. O que não impedirá o fedor de flutuar como uma aura às avessas sobre a tua cova. [...] Não decifras nada, esfinge de plástico."
, um homem ao meu lado estava concentrado em observar como eu estava concentrada na leitura.
Não deu para ver o rosto dele, mas deu para perceber pelo canto do meu olho direito que ele olhava pra mim. Acho que ficou impressionado com a quantidade de barulho e de acontecimentos que passaram despercebidos por mim. Um pouco antes dele descer, já faziam, mais ou menos, uns 45 minutos de viajem, ele falou pro vento "Nossa, quanto carro na CDU! Formatura". E eu fingi não ter ouvido. Mas vi, através da janela, todos aqueles carros parados pelo canto do meu olho esquerdo. Eu senti como se ele estivesse testando a minha capacidade de concentração, então aceitei o desafio e não olhei para nenhum dos lados. Permaneci, aparentemente, imóvel. Ele desceu do coletivo e foi embora!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

fora de contexto

Eu me encaixaria perfeitamente em uma fôrma de menina. Um jeito sempre moleque, um modo abestalhado de dizer as coisas, risos e gargalhadas intermináveis, uma inquietação relacionadas às coisas da vida e infinitas interrogações. Mas e agora?! O que eu faço com tudo isso nessa fôrma de mulher? O que eu devo fazer comigo?
Meu rosto não é mais o mesmo... através do espelho, olho dentro dos meus olhos e vejo uma menina, mas as pessoas só enxergam essa fôrma dura, rígida e pronta. Elas olham para mim e ficam me cobrando a pessoa que vou ser como se agora eu fosse um nada. E agem sem perceber. Um mundo mais seco, atitudes mais insensíveis.
Em consequencia disto, acabo agindo da mesma forma com as pessoas, cobrando delas coisas ridículas, quando já são maravilhosas!


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

[sorrisos]

   Seriedade não tem nada haver com ausência de sorrisos ou com a falta de bom humor. Me leve a sério, principalmente, quando eu estiver sorrindo. 

domingo, 4 de dezembro de 2011

Fuga

Hoje eu fugi de casa.
Saí pela rua para olhar as pessoas.
Saí para olhar as pessoas se embriagarem pelas esquinas fétidas de urina.
Saí para ver as "novinhas" e seus shortinhos curtos.
Fui ver o quanto as pessoas são inúteis à sociedade e o quanto elas são capachos da minoria manipuladora.
Enquanto eu estava em casa assistindo ao dvd d'O Teatro Mágico.
Mas mesmo assim isso foi motivo para eu receber gritos e mais gritos.
Tive vontade de ir numa boca de fumo comprar drogas para realmente terem motivos para tantos gritos.
Motivos banais.
Foi a fuga mais rápida da história.
Por volta de meio dia do mesmo dia a fome bateu e eu voltei.
Ao invés de colocar roupas, dinheiro e comida na mochila, eu coloquei cadernos, caneta e uma gramática.
Não sei pra que se meus trabalhos estão todos no computador.
Tecnologia inútil.
Fugi de casa, mas na verdade eu estava fugindo da minha própria condição de submissa e dependente.
E tudo isso ainda vai durar muito tempo.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Um brinde à Infância...

... e que todas as crianças do mundo tenham o direito de ter e viver a sua própria história!


‎Cara, uma lembrança me trouxe a infância toda a tona. Eu brincava de escolinha e eu sempre era a professora porque as meninas diziam que eu era a mais estudiosa. 
Elas definiram meu destino ou o meu destino falou comigo através delas?
E quem sabe dos planos de Deus, o que importa é sentir-se vivo!!!

#Eduarda e #Arlaine ♥
uma singela homenagem.