quinta-feira, 27 de maio de 2010

Clarice Lispector

"Tenho medo de escrever. É tão perigoso. Quem tentou, sabe. Perigo de mexer no que está oculto - e o mundo não está à tona, está oculto em suas raízes submersas em profundidades do mar. Para escrever tenho que me colocar no vazio. Nesse vazio terrivelmente perigoso: dele arranco sangue. Sou um escritor que tem medo da cilada das palavras: as palavra que digo escondem outras - quais? talvez as diga. Escrever é uma pedra lançada no poço fundo."


(in Um sopro de vida)

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"Viver é um ato que não premeditei. Brotei das trevas. Eu só sou válida para mim mesma. Tenho que viver aos poucos, não dá para viver tudo de uma vez. Nos braços de alguém eu morro toda. Eu me transfiguro em energia que tem dentro dela o atômico nuclear. Sou o resultado de ter ouvido uma voz quente no passado e de ter descido do trem quase antes dele parar — a pressa é inimiga da perfeição e foi assim que corri para a cidade perdendo logo a estação e a nova partida do trem e seu momento privilegiado que desperta espanto tão dolorido que é o apito do trem, que é adeus."

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"Ouça: respeite mesmo o que é ruim em você - respeite sobretudo o que imagina que é ruim em você - não copie uma pessoa ideal, copie você mesma - é esse seu único meio de viver. Juro por Deus que, se houvesse um céu, uma pessoa que se sacrificou por covardia ia ser punida e iria para um inferno qualquer. Se é que uma vida morna não é ser punida por essa mesma mornidão. Pegue para você o que lhe pertence, e o que lhe pertence é tudo o que sua vida exige. Parece uma vida amoral. Mas o que é verdadeiramente imoral é ter desistido de si mesma. Gostaria mesmo que você me visse e assistisse minha vida sem eu saber. Ver o que pode suceder quando se pactua com a comodidade da alma".


Clarice Lispector

quarta-feira, 19 de maio de 2010

...essas coisas quebradas.



Muitos blás depois:

- Mas aí seria uma constante...

- Me da uma resposta certa, não gosto dessas coisas quebradas!

- Mas não existe resposta certa, eu mesma sou fragmentada. Como posso te dar algo sólido?!



terça-feira, 4 de maio de 2010

TPM.

O tempo todo é nada.
Quando se tem algo, o tempo passa.

***

Um dia cheio e no fim dele: o vazio.
10 mil almas e um desejo: ser feliz.
Ninguém se lembra do que diz, mas sabe acusar o primeiro infeliz.
Nada me vem fácil e ainda por cima tenho muita preguiça, mas não me subestime!
É que às vezes eu me irrito, não reflito e firo.
Quando isso acontece já sei que é a tal TPM.

Por causa dela eu falo asneira.
Sempre faço uma besteira [e depois fico arrependida.
Nesses dias brigo até com amiga.
E isso né brincadeira não.
Você não controla [a minha mesmo tem vontade própria.
Aí é quando me expresso mal,
Não gosto de açúcar nem de sal
E pra piorar: a merda não fui eu que fiz, mas e quem vai saber que foi a Infeliz?